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Vale da Veiga

Foto: Foz Côa Friends

Estação e Foz do Côa

30 de Junho de 2012

Foto: Foz Côa Friends

Paisagem avistada junto ao Castelo Velho - Freixo de Numão

26 de Maio de 2012

Foto: Foz Côa Friends

II Passeio pedonal pela Linha do Douro

Quinta abandonada - Almendra

Foto: Foz Côa Friends

II Passeio pedonal pela Linha do Douro

Rebanho nas proximidades da Srª do Campo - Almendra

Foto: Foz Côa Friends

Terrincas

Amêndoas verdes

Foto: Foz Côa Friends

Douro

Rio Douro próximo da estação de Freixo de Numão / Mós do Douro

Foto: Foz Côa Friends

Linha do Douro

Viaduto da Linha do Douro no Vale Canivães entre o Pocinho e a foz do Côa.

Foto: Foz Côa Friends

Pocinho

Vista geral sobre o Pocinho a partir do santuário da Srª da Veiga.

Foto: Foz Côa Friends

Pocinho

Um dos muitos pombais existentes na região.

Foto: Foz Côa Friends

Foz do Côa

Onde o Côa e o Douro se abraçam.

Foto: Pedro Pego

Foz do Côa

Onde o Côa e o Douro se abraçam.

Foto: Foz Côa Friends

Foz Côa

Lagoa

Foto: Foto Felizes

Flor de Amendoeira

Foto: Foz Côa Friends

Igreja matriz de Almendra.

Templo do séc. XVI em estilo manuelino e maneirista.

Foto: Fernando Peneiras

Pelourinho de Almendra

De acordo com a sua feição quinhentista, o pelourinho datará dos anos seguintes à atribuição do foral manuelino em 1510.

Foto: Fernando Peneiras

Foz Côa

Câmara Municipal e Pelourinho

Foto: Foz Côa Friends

Pocinho e Cortes da Veiga

Vista geral

Foto: Adriano Ferreira

Quinta da Ervamoira

Foto: Adriano Ferreira

Foz Côa

Amendoeiras floridas

Foto: Adriano Ferreira

Foz Côa

Floração da amendoeira.

Foto: Adriano Ferreira

Túnel das Pariças

Linha do Douro - Castelo Melhor

Foto: Foz Côa Friends

Foz do Côa

Nevoeiro sobre a foz do Côa.

Foto: Foz Côa Friends

Quinta da Granja

Foto: Foz Côa Friends

Douro

Quinta da Granja

Foto: Foz Côa Friends

Douro

Próximo da Quinta das Tulhas

Foto: Foz Côa Friends

Douro

Próximo da Quinta das Tulhas

Foto: Foz Côa Friends

Douro

Próximo da Quinta das Tulhas

Foto: Foz Côa Friends

Douro

Saião (Pocinho)

Foto: Foz Côa Friends

Douro

Próximo da Quinta das Tulhas

Foto: Foz Côa Friends

Linha do Douro - Caseta

Próximo do Côa

Foto: Foz Côa Friends

Foz Ribeira Aguiar

Próximo da estação de Castelo Melhor

Azulejos

Estação de CF do Pocinho

Manifestação pela reabertura da Linha

Porto

Foto: Foz Côa Friends

Castelo de Numão

Foto: Foz Côa Friends

Capela do Anjo S. Gabriel

Castelo Melhor

Foto: Foz Côa Friends

Castelo Melhor

Foto: Foz Côa Friends

Castelo Melhor

Foto: Foz Côa Friends

Quinta da Granja

Foto: Foz Côa Friends

Quinta da Granja

Foto: Foz Côa Friends

Concerto no Museu do Côa

Foto: Foz Côa Friends

Figos e Amêndoas

Foto: Foz Côa Friends

Foz do Côa

Foto: Filipe Inteiro

Orgal

Foto: Foz Côa Friends

31 maio 2011

Os caminhos-de-ferro do Douro: história e património

Pelo Douro fora, entre o rio e as serras, a viagem de comboio torna-se inesquecível, mesmo que repetida mil vezes. A paisagem monumental dos vinhedos e olivais ou os alcantis ciclópicos que, aqui e ali, comprimem as margens multiplicam-se na infinidade de olhares e sensações que despertam em cada recanto. Ao longo do dia ou no curso das estações, enchem-se de luz ou de sombras, de uma profusão de tonalidades de verde, em planos sobrepostos de névoa ou na intensa claridade mediterrânica. Uma paisagem assim envolve-nos os sentidos e a imaginação. Certamente, a região tem vindo a ganhar uma rede de estradas que a atravessam em várias direcções, mas só o comboio nos dá a liberdade total para essa viagem de comunhão com a terra. Correndo entre as fragas da encosta e o rio, o caminho-de-ferro desvenda a épica do lugar. Não é apenas o que os olhos vêm que nos surpreende. É a nossa própria meditação, embalada no rumor dos carris, que mistura sensações e memórias, busca a compreensão do que não se vê mas se imagina em cada trecho da paisagem.
Não é difícil perceber a dimensão titânica do trabalho humano que transformou as montanhas de xisto em patamares de vinhedos. Ou o que foi rasgar a penedia para construir o caminho por onde seguimos, na linha do Douro, aqui e ali suspenso sobre pontes de ferro, a desafiar desfiladeiros. Sem o caminho-de-ferro, o Douro não seria o que é hoje. Vale a pena recordar que, nas suas origens, há uns 150 anos, quando as elites políticas e financeiras da época começaram a pensar na sua construção, a linha-férrea do Douro era apresentada como a grande alavanca para o progresso desta região pobre, mas produtora de grandes riquezas. Afinal, tratava-se do «país vinhateiro», onde se produzia o celebrado vinho do Porto, o maior valor da exportação nacional. E, por outro lado, os velhos caminhos, que ligavam as povoações da região ou levavam ao Porto e a outras terras, eram intransitáveis ou difíceis de transitar. O transporte do vinho, neste «rio de mau navegar», de caudal e leito muito irregulares, cheio de poços, cachões e secos, fazia-se nos tradicionais rabelos. Todos os anos, eram mais de duas mil viagens, cada uma delas demorando vários dias de navegação perigosa. Por isso, o comboio constituiu, durante décadas, a grande esperança desta terra. Mas, como tantas vezes tem acontecido na concretização de projectos estruturantes do Douro, a construção foi sendo protelada e só aconteceu na segunda metade dos anos setenta, quando o Douro vinhateiro, ainda mal refeito da devastação do oídio, enfrentava a destruição ainda maior da praga da filoxera. Quando o comboio chegou à Régua, em 1879, e, no ano seguinte, ao Pinhão, já havia quem desse a região como completamente perdida. Em Dezembro de 1887, a viagem de comboio poderia fazer-se, finalmente, até Barca de Alva, ligando-se, por aí, a Salamanca e à Europa. Mas a chegada tardia do caminho-de-ferro, numa época em que o Douro mergulhava na extrema pobreza, não trouxe o progresso esperado. Nem podia trazer. Como escreveu, então, Oliveira Martins: «O caminho-de-ferro, lembremo-nos bem disto, é um instrumento de uma energia incomparável, mas é um instrumento apenas. Aplicado a um organismo são e capaz de o suportar, avigora-o; aplicado, porém, a um organismo depauperado, extenua-o». Não é, por isso, de estranhar que as estações se tenham enchido de emigrantes, fugindo da fome, com a esperança de refazer uma vida nova em terras brasileiras.
É difícil imaginar o que seria o Douro sem o caminho-de-ferro, nessa época de desolação, com grande parte das vinhas mortas pela filoxera e as populações na miséria. Mas do que não há dúvida é que ele teve um papel primordial no combate a essa crise maior da história do Douro, quando os durienses tiveram de plantar de novo todo o vinhedo regional e construir milhares de quilómetros de muros de socalcos. Foi o caminho-de-ferro que possibilitou o transporte rápido de videiras americanas, de adubos, de fitossanitários e de trabalhadores. Em dez anos apenas, entre 1893 e 1902, fizeram-se no Douro cerca de 20 mil hectares de plantações, metade da área actual de vinha de toda a região demarcada. E, não menos importante, o comboio permitiu um reordenamento e uma integração do espaço regional, bem como uma ligação mais rápida ao Porto. Antes dele, a região vinhateira pouco ultrapassava o Tua, excluindo, praticamente, todo o Douro Superior. Depois, alargou-se até à fronteira com Espanha. Esse novo mapa regional começa a surgir logo nos anos oitenta do século XIX, bem antes das novas demarcações de 1907 e 1908. Além disso, a linha do Douro tornou-se um instrumento modernizador essencial, diminuindo para algumas horas o que antes, nas velhas diligências, significava dias de distância. E, sobretudo, permitiu o desencravamento da região. Havia quem tomasse o comboio na Régua, no Pinhão ou no Tua, para ir a Bordéus ou a Paris. Nos anos noventa, Eça de Queirós deixou-nos, no seu livro «A Cidade e as Serras», o olhar de espanto do snob Jacinto, vindo de Paris, de comboio, perante a paisagem duriense, ao chegar à estação de Barca de Alva. E, por isso, poder-se-ia dizer que a história da actual região demarcada e a história do caminho-de-ferro do Douro se irmanaram nesse momento épico de refundação do «país vinhateiro».
Tal como a plantação de novas vinhas, também a epopeia da construção da rede ferroviária do Douro exigiu um trabalho ciclópico, obrigando a rasgar caminho entre as fragas das margens do rio. Muitos trabalhadores morreram não só pela dureza do trabalho, em lugares inóspitos, como pela inclemência do clima. Os eucaliptos centenares junto às estações do Douro não estão lá por acaso. Muitos deles foram plantados nessa época, acreditando-se que afugentavam a mosquitada que transmitia as febres palustres. Houve um ano, quando o comboio chegou ao Pocinho, que os trabalhadores debandaram, após a morte de uns quantos atacados por sezões. E a construção de outras linhas secundárias, como as do Corgo, do Tua ou do Sabor, teve esse mesmo carácter épico. No Tua, houve pontos em que a construção da linha obrigou a prodígios de engenharia e a malabarismos mortais. Algumas partes foram construídas em alcantis rochosos, com os trabalhadores suspensos por cordas.
Durante cerca de meio século, entre 1875 e 1925, a rede ferroviária do Douro, com as extensões a Trás-os-Montes, foi sendo construída penosamente. Sem contar com a linha do Tâmega, já a jusante da região, mas assumindo a mesma perspectiva de dotar o interior do país de uma razoável cobertura da rede ferroviária, a maior parte das linhas do Tua (1884-1906), do Corgo (1906-1921) e do Sabor (1911-1938), foi construída por esta altura. Depois, pouco se avançou. Além disso, previa-se, ainda, a articulação da linha do Douro com outras linhas a construir a Sul do Douro, Porém, essas novas linhas que deveriam completar a rede ferroviária do Douro nunca chegaram a concretizar-se. Desde 1911, na linha que estava projectada para ligar a Régua a Lamego e a Vila Franca das Naves, construiu-se a ponte granítica sobre o Douro, rasgou-se até Lamego a via para o assentamento das travessas e carris, que chegaram a estar acumulados no cais da estação da Régua, mas não mais do que isso. Em meados dos anos trinta, na altura em que decorriam estudos para o lançamento de novas linhas, como a que deveria ligar Foz-Tua a Viseu, o salazarismo veio travar todos os investimentos, concluindo-se apenas os últimos troços da linha do Sabor até Duas Igrejas (1938). Seguiu-se uma longa fase de abandono e de tardia e escassa modernização da rede existente. Para Salazar, o país rural deveria permanecer pobre, alegre e conformado com a sua sorte, como o Douro das vindimadeiras sorridentes das fotografias da Casa Alvão.
Ainda nos anos cinquenta e sessenta, quando os Planos de Fomento proclamavam uma nova era de progresso e lançavam no Douro grandes empreendimentos para alargar a energia eléctrica a todo o país, a região continuava esquecida. Produtor de uma boa parte da energia hidroeléctrica nacional, nas sucessivas barragens que se construíram, primeiro no Douro Internacional e depois ao longo do curso português do rio, o Douro continuaria sem a electrificação da sua rede ferroviária até aos nossos dias.
Esperava-se que, após o 25 de Abril de 1974, o regime democrático e os sucessivos planos de desenvolvimento se traduzissem em projectos de efectivo combate às desigualdades territoriais do País. No entanto, relativamente à rede ferroviária do Douro, como sucedeu com muitos outros serviços públicos do interior, verificou-se a ausência de investimentos adequados à modernização das linhas e das composições. Desde os anos oitenta do século XX, a par da euforia do poder central na construção de auto-estradas e de grandes obras públicas concentradas no litoral, sucederia a amputação, sem sentido, da rede ferroviária do Douro. A pretexto da diminuição de utentes e de racionalização da gestão das linhas, procederam ao encerramento de estações e apeadeiros, em muitos casos seguido de destruições gratuitas desse património. Diminuíram as viagens e as composições. Alteraram horários, muitas vezes sem ter em conta as necessidades das populações. Desactivaram linhas, ou troços de linhas, no Douro, no Sabor, no Tua, no Corgo e no Tâmega, desestruturando, sucessivamente, a rede ferroviária regional.




Nesses tempos de triunfo do betão e do neo-liberalismo, os responsáveis pela política ferroviária nacional justificaram as suas decisões em relação às linhas do Douro como medidas de boa gestão de recursos públicos. Diziam que as linhas não eram rentáveis. Mas nunca se questionaram por que é que as linhas não eram rentáveis ou se tinham sido feitos os investimentos necessários para as modernizar e as tornar rentáveis. E muito menos se questionaram, como deviam, na lógica de um serviço público, se a supressão das linhas e troços de linhas não punha em causa os direitos das populações mais desfavorecidas que deveria servir. Nem sequer pensaram nos interesses estratégicos regionais, no seu sistema de relações, tanto intra-regional como inter-regional e internacional.
Foram muitas décadas de uma política de desinvestimento, de desleixo e de má gestão da rede ferroviária regional, com prejuízos evidentes para a economia duriense, para a qualidade de vida e de relação das populações durienses e que resultaram em perdas imensas de património, num maior encravamento da região, destruindo ligações estratégicas do Douro com espaços dinâmicos de Trás-os-Montes, como Chaves e Bragança, e a ligação internacional com a Espanha e com a Europa.
Hoje, porém, alertados para os problemas ambientais resultantes do excesso do uso da rodovia e perante a urgência de novas políticas energéticas, o transporte ferroviário ressurge como solução mais «verde» e amiga do ambiente. Muitos países já perceberam isso e têm apostado na manutenção e renovação da sua rede ferroviária. No caso do Douro, as características da região aconselham essa aposta, tanto mais que o crescimento do turismo suscita, em boa parte do ano, uma nova procura. Além disso, nesta região classificada como Património da Humanidade, pela excelência da sua «paisagem cultural, evolutiva e viva», o património ferroviário da região, ao mesmo tempo que conserva o seu valor de memória e de afirmação da identidade do território, faz parte desse conjunto insubstituível de elementos de atractividade e de recursos para o desenvolvimento de que o Douro não pode abdicar.






Gaspar Martins Pereira
(Professor catedrático da FLUP-Faculdade de Letras da Universidade do Porto/
Coordenador do CITCEM-Centro de Investigação «Cultura, Espaço e Memória»)

29 maio 2011

Caravana Visão em Foz Coa

A revista Visão fez 18 anos e está a percorrer o país de norte a sul numa autocaravana, falando com as pessoas e escrevendo reportagens.  No dia 16 de Maio esteve na Escola B/S Tenente Coronel Adão Carrapatoso, em Vila Nova de Foz Coa.

Já ouviste falar nas gravuras rupestres do Vale do Côa?!
Em 1994, os alunos daquela escola gritaram bem alto "As gravuras não sabem nadar", numa manifestação contra a barragem que deixaria submersas as gravuras e impossibilitaria o que hoje é uma realidade - visitá-las no terreno.

No dia em que visitámos o 7ºA, deixámos um desafio aos alunos: escreverem uma notícia sobre a nossa visita à Escola. Eles corresponderam e aqui está ela.

Caravana Visão por terras das Gravuras
A Caravana Visão proporciona uma tarde diferente aos alunos do 7º A da Escola B/S Tenente-Coronel Adão Carrapatoso.
Na segunda-feira 16 de Maio, a Caravana Visão visitou a nossa escola para nos mostrar como funciona a edição da revista Visão Júnior. A Joana e o José Carlos ensinaram-nos todos os passos necessários à elaboração de uma revista e as tarefas de quem trabalha numa redacção.
Depois, tivemos a oportunidade de visitar a caravana que anda de Norte a Sul de Portugal a recolher histórias, tal como nós fazemos com o nosso projecto "Arquivo de Memória do Vale do Côa". Gostamos imenso desta visita e esperamos que voltem em breve.
Os alunos do 7º A, Área de Projecto



Fonte: Visão Júnior, 26 de Maio de 2011

27 maio 2011

Os desastres anunciados do IP2 e do IC5


Se sair da A23 e depois da A25, para Celorico da Beira, em direcção a Vila Nova de Foz Côa e Bragança, e por ali acima, verá que são rasgados vales e montanhas. Os sítios mais impressionantes ficam feridos de morte. Na transição da Beira para o vale do Douro, o traçado destrói montes que pareciam invioláveis e, já pelo vale deslumbrante, são quintas, vinhedos, zonas agrícolas férteis que aparecem cortadas ao meio, tantas vezes em paralelo com a via já existente e, até, suficiente.

Um empreendimento turístico rural, na quinta do Chão de Ordem, ficará a algumas dezenas de metros do IP2. Até Vila Nova de Foz Côa, e depois, até ao Pocinho, e dali até à ponte sobre o rio Sabor, já se pode adivinhar a destruição de santuários paisagísticos que não merecem o mínimo respeito de quem procura os sítios mais fáceis e menos onerosos, do ponto de vista financeiro, para fazer obra e avançar.




No Vale da Vilariça, o desastre é demasiado óbvio. Zonas férteis são afectadas violentamente; há a confluência anunciada do IP2 com o IC5, que se adivinha destruidora das características essenciais deste vale principal, e há crateras que são abertas (para fornecer brita e outros materiais às obras) que irão ficar nas paisagens de diversos concelhos e freguesias como bombardeamentos pesados e ainda não avaliados no futuro turístico e ambiental da região.
Depois, há o IC5, que virá dos lados de Vila Real, do IP4, irá até à proximidade de Carrazeda de Ansiães e passará a sul e a nascente de Vila Flor. Neste concelho, atravessa quintas e vales importantes, corta vinhedos excelentes e terra com "benefício" de produção de vinho do Porto e, no vale que se abre para a Vilariça, ladeando a estrada para Roios, passará aí a 60 metros de outro empreendimento de turismo rural notável, recentemente erguido a pulso e inteligência, a dois quilómetros de Vila Flor.
Também o IP4, quando foi anunciado há dezenas de anos e lentamente realizado, foi propagandeado como factor de progresso decisivo para os distritos de Vila Real e Bragança e, afinal, o deserto humano, o abandono e o atraso reais instalaram-se e fortaleceram-se.

Os grandes projectos de IP, IC e auto-estradas deviam ser levados a cabo para servir e estimular a economia, a agricultura, o turismo e, sobretudo, a industrialização do interior. Mas nada disso está ligado e é coordenado. Há apenas o abuso, o lucro a todo o custo das empresas envolvidas, a imposição sinistra e avassaladora de mais deserto circulante e fugidio a acrescentar à imensa realidade de atraso e fuga para longe, sobretudo de quem é jovem e já percebeu que não há progresso real com propaganda, mentira e esvaziamento do que é essencial, num futuro já velho e previsível que nos cerca e asfixia.


Onde estão os ambientalistas, os lutadores pelos patrimónios natural, paisagístico e cultural? Que projectos de desenvolvimento da região servirão e propiciarão tanta destruição e atropelos da paisagem e da riqueza secular que estão em grave risco? Nada se sabe. Só se sabe é que campeia o "posso, quero e mando" das empresas envolvidas nos empreendimentos e que as autarquias locais estão caladas.

Nesta realidade violenta de "crises" e do mais que se verá, deveria haver algum decoro e vigilância efectiva por parte de quem aprova obras no papel e deixa "correr o marfim" que levará a nada e a coisa nenhuma, se assim continuar. Apenas o "chegar", "passar" e "partir" depressa das regiões depressivas não chega para justificar a brutal realidade que nos envolve e deprime mais ainda.

Fonte: MODESTO NAVARRO
DN, 08 de Nov. 2010
Imagens de José Costa e Adriano Ferreira

25 maio 2011

Clube UNESCO nasce em Foz Côa

A Comissão Nacional da UNESCO (CNU) e a Associação de Amigos do Parque e Museu do Côa (Acôa) assinam, a 28 de Maio, o acordo que estabelece o «Clube Unesco Entre Gerações». Uma iniciativa que nasce na sequência da criação do projecto «Arquivo de Memória do Vale do Côa» e que visa recuperar quotidianos das populações da região.

Ana Clara; Fotos: Arquivo de Memória do Vale do Côa | terça-feira, 24 de Maio de 2011

O evento, que decorre no auditório do Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa passa, segundo a arqueóloga Alexandra Cerveira Lima, ligada ao projecto, por aprofundar as «relações entre gerações, contribuindo para a qualidade de vida dos mais idosos, conhecimento e formação dos mais novos, bem como aprofundar a ligação à comunidade local».
A também antiga directora do Parque Arqueológico do Vale do Côa refere que a ideia de criar o Clube Unesco surgiu na sequência de um contacto que o Parque Arqueológico do Vale do Côa estabeleceu com a Comissão Nacional da Unesco, muito antes da abertura do Museu do Côa e da criação da Acôa.

Recorda, por isso, que uma preocupação central do Parque Arqueológico era, desde finais de 2004, estabelecer plataformas de entendimento e cooperação com as entidades locais e regionais bem como pontes de contacto com as populações residentes.
«Foi este espírito de procurar aproximar as comunidades do seu património, de as tornar conscientes da sua valia patrimonial e científica, que me levou, na altura, enquanto directora do Parque Arqueológico, a contactar a Comissão Nacional da UNESCO, procurando informações, pistas e apoio para a possibilidade de criação de um Clube ou Centro UNESCO na região, por entender que poderia ser uma forma interessante de criar pontes para a comunidade e desenvolver acções conjuntas», explica Alexandra Lima.
Nos últimos anos, salienta a responsável, consolidou-se a ideia de cruzar este projecto com um outro, «que vinha fazendo a sua história também no âmbito do Parque Arqueológico: a criação de um centro de documentação da região do Vale do Côa, o que viria a designar-se Arquivo de Memória».

«De facto, o Parque Arqueológico, em colaboração com os 10
municípios da Associação de Municípios do Vale do Côa (AMVC) e com outras entidades, nomeadamente o Museu da Casa Grande de Freixo de Numão, tinham preparado a candidatura da criação de um centro de documentação do Vale do Côa ao Programa Foral, candidatura que não foi financiada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento regional do Norte (CDRN), embora esta tivesse mostrado abertura para financiar a componente que lhe competia»,

Não tendo sido financiada a criação deste centro de documentação, foi possível começar a articular este projecto com uma outra preocupação que então o Parque Arqueológico vinha desenvolvendo: «a incapacidade de chegar, com a sua acção, aos mais idosos».

«Se, nos últimos anos, a cooperação entre o Parque e as escolas da região, muito particularmente as escolas de Vila Nova de Foz Côa, era uma realidade, muito dificilmente com os meios humanos disponíveis seria possível uma actividade consistentemente mais próxima dos lares e centros de dia da região (embora se tivessem feito algumas esporádicas tentativas de aproximação)», realça.

A ideia, vinca Alexandra Lima, era articular jovens das escolas e idosos dos lares para, com a orientação de técnicos, constituírem o Arquivo de Memória, e que foi ganhando corpo.

Depois de reunidas as várias linhas de actuação, a Fundação Calouste Gulbenkian possibilitou então a candidatura ao programa inter-geracional, que visava apoiar projectos desta natureza.
«A Acôa, entretanto criada, mais vocacionada para a articulação com as comunidades residentes, candidatou o projecto ‘Arquivo de Memória’ e, em boa hora, viu o seu intento financiado. A Comissão Nacional da UNESCO, entretanto contactada, considerou que o projecto ‘Arquivo de Memória’ se revestia das condições e requisitos necessários para a constituição de um Clube UNESCO na região», explica.

Objectivo do Clube:Desta forma, o objectivo deste Clube que nasce a 28 de Maio, sábado, em Vila Nova de Foz Côa visa «aprofundar a componente científica e de investigação, procurando uma colaboração estreita e permanente com universidades, desenvolvendo assim a componente científica».


Visa também alargar geograficamente a sua actuação. «Para cumprir este desiderato, foi candidatado o alargamento do projecto ao PROVERE do Côa, através da Associação de Municípios do Vale do Côa, que deu à iniciativa todo o apoio, e da Associação Territórios do Côa, que o integrou na candidatura. Pretende-se que este projecto-piloto possa alastrar a outras freguesias do concelho de Vila Nova de Foz Côa e a outros concelhos do Vale do Côa, desde logo os outros três concelhos do Parque Arqueológico: Figueira de Castelo Rodrigo, Meda e Pinhel», acrescenta Alexandra Lima.


O projecto viveu até agora do financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian, que contribuiu com 30 mil euros e que permitiram adquirir material, manter a equipa ao longo de um ano e assegurar diversas colaborações técnicas.

O valor previsto na candidatura ao Provere é de 100 mil euros (ascendendo o financiamento comunitário, se ocorrer, a 70% deste valor).

Para além da Acôa integram este Clube Unesco, entidades como a Arte e Cultura no Douro e Côa, a Junta de Castela e Leão, a Associação Transumância e Natureza e Associação de Municípios do Vale do Côa.

24 maio 2011

Vila Nova de Foz Côa - Poema



Vila nova de Foz Côa,
Terra linda hospitaleira,
Tu tens um Museu que ecoa,
É tua nova bandeira!


Tens tudo quanto precisas,
Para quem te vem visitar,
Sabes fazer as conquistas,
E no altar as consagrar.


Com tuas amendoeiras,
Teus frondosos olivais,
Das tuas terras brotadas,
Onde há soberbos vinhais.


Foi o Paleolítico, no fundo,
Que mais te tornou famosa,
Ao mostrar a todo mundo,
Que foste sempre formosa! 




Poema: Jorge Vicente (Fribourg - Suiça)