26 setembro 2012
23 setembro 2012
A LENDA DA CAPELA DO ANJO - Parte I
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| Castelo Melhor |
Passaram séculos sobre a chegada dos dissidentes do Castelo Calabre, construtores do Castelo Melhor e de facto os fundadores do povoado que veio a adoptar o singular nome do castelo.
E digo fundadores por que não consta que outros, nomeadamente os gravadores das rochas das margens do Côa há trinta mil anos ou mais, tenham deixado outra obra ou rasto para além dos rabiscos como prova da sua presença na região e que só por acidente chegaram até nós – as gravuras.

Gravura do sítio da Penascosa
Com o crescimento do povoado e a chegada de novas gentes as novas gerações e os migrantes que em todos os tempos os houve, por um ou outro motivo, chegaram também, naturalmente, outras formas de pensar a vida e as crenças ou, se quisermos as religiões; e de tal modo se foram impondo aos que lá estavam que estes acabaram, não sei se pacificamente, por abandonar as suas, se é que alguma religião professavam e adoptaram a dominante.
Além do natural crescimento o burgo foi ganhando importância social e religiosa; no primeiro caso foram-lhe atribuídos forais por diferentes monarcas e um deles ordenou mesmo a restauração do castelo, tudo levando a crer que ou houve escaramuças que o danificaram ou então, como ainda hoje sucede, deixa de ser assistida a obra e o tempo se encarrega de a deteriorar; no que se refere à importância religiosa foi decidido que era altura de ser construída uma igreja paroquial que não será a que ainda hoje existe, mas outra mais modesta, tudo levando a crer que já ocupara o espaço da que hoje serve de lugar de culto pois todas as ruas parecem ter a igreja como centro de convergência.

Pormenor da Igreja Paroquial de Castelo Melhor
Mais tarde e tendo em conta o que desde há séculos vinha passando de geração em geração, ou seja, a promessa ao anjo São Gabriel, feita pelos fundadores, de um dia lhe construírem uma morada lá no alto do monte que veio a tomar o seu nome – monte do Anjo; foi decidido que a capela iria ser construída cumprindo-se, finalmente, a promessa antiga.
Parece que por esquecimento ou por desconsideração dos termos exactos em que a promessa fora feita, na época da negociação, entre os vindos do Calabre e a embaixada do Céu, os encarregados da construção da orada, examinando o local, concluíram que a ponta do rochedo era o local menos indicado para que a construção se fizesse; terão invocado razões de ordem económica e de segurança, para o Anjo e para os futuros veneradores em festa; logo, decidiram que seria construída no cerro da encosta, mas aí uns cinquenta metros antes da ponta do rochedo.
O responsável religioso estava de acordo, assim como a maioria das pessoas da aldeia; porém um idoso havia que o não estava: que a exigência do Anjo era diferente no que se referia ao local; todos se riram nas barbas do ancião e alguns mais atrevidos e divertidos ainda lhe foram perguntando como é que estava tão seguro disso e que, mesmo sendo o mais velho, não constava que o fosse tanto a ponto de estar na reunião que decidiu, há séculos, do local exacto onde a capela devia ser feita! Façam como quiserem, respondeu o ancião, mas... qual mas retorquiram os empreiteiros.

Capela do Anjo
O representante da igreja, presente desde o início em carne e osso na reunião também achou que não devia haver qualquer razão para que não fosse adoptada a forma mais razoável e o local mais indicado para que a capela fosse construída era o sugerido pelos empreiteiros e com o apoio da população.
O ancião encolheu os ombros e foi “pregar”, bem calado, “para outra freguesia”, como costuma dizer-se.
Ninguém se apercebeu que o espírito do Anjo esteve sempre presente na discussão, mas como não tinha sido convocado preferiu manter-se de espírito aberto e a provar-lhes, a seu tempo, que tinha sido desastrada a decisão tomada.
A obra foi iniciada e tudo correu normalmente durante o tempo em que foi terraplanado o espaço para a construção; toda a gente estava já esquecida do que o ancião dissera e a ponta do rochedo lá estava intocada.
Quando a primeira parede começou a ser levantada tudo continuava a decorrer normalmente e no final da jornada de trabalho todos voltaram à aldeia para descansar; bem precisavam, pois no dia seguinte tinham que se levantar bem cedo para chegarem a horas lá ao alto da serra e continuarem o trabalho; e não era só o dia de trabalho que cansava, mas logo antes de começarem o dia terem de subir toda a encosta que o que apetecia mais, quando chegavam, era deitar-se e descansarem novamente; durante o período de alisamento do espaço e quando acabavam a jornada e desciam ao povoado não custava muito porque a descer todos os santos e anjos ajudam; subir e trabalhar é que era mais complicado.

Altar da Igreja Paroquial de Castelo Melhor

Vitral da Igreja Paroquial de Castelo Melhor
E logo pela manhã do segundo dia da construção propriamente dita lá subiram como puderam, mais lestos uns que outros, ou porque eram mais novos ou porque tinham descansado mais; notava-se que o cansaço era diferente, mas todos chegaram. E todos viram espantados, que toda a parte da parede no dia anterior construída tinha desaparecido e os materiais utilizados estavam amontoados lá adiante na ponta do rochedo!
E de imediato se instalou a confusão; quem poderia ter feito tal serviço quem não poderia ter feito, cada um levantando a sua suspeita e quase todas se inclinavam para o ancião que dias antes, durante a reunião, lembrara a promessa feita ao Anjo.
Mas um deles, mais prudente, levantou a voz para questionar tal hipótese, alegando que o velho seria incapaz de, sozinho, desfazer e transferir para cinquenta metros mais além todos os materiais que seis homens levaram o dia inteiro a edificar! Mas ninguém se atrevia a acusar o Anjo, embora um deles tenha pensado nisso, mas ficou calado.

Capela do Anjo
Não havia carro de mão e as pedras eram muitas, como é que isto poderia ter sido feito?! Levar as pedras de braçado também estava fora de questão, pois nem três ou quatro pessoas o conseguiam fazer numa só noite!
De qualquer modo é melhor irmos falar com o velho e se ele confessar damos-lhe nas ventas e obrigamo-lo a vir connosco e voltar a pôr tudo no seu lugar; e se teve companhia será melhor trazê-la também e assim ficamos a saber quem o ajudou a dar cabo do nosso trabalho.
O ancião negou, pensando até que eles estavam a brincar ou queriam era gastar mais tempo na obra e, assim, subirem o preço contratado. Ainda foi insultado, mas manteve-se na negativa, que nada teve a ver com tal assunto.
E lá voltaram ao alto da serra recomeçando o trabalho com outras pedras e assim fizeram mais uma jornada; mas danados com o que tinha sucedido e mais ainda por não terem conseguido saber quem tinha sido o autor ou autores da proeza e bem gostavam de o saber, talvez nunca mais se metesse noutra! Eles queriam era acabar a obra para receberem o contratado e não podiam ali ficar a vida toda!
(Continua...)
Texto: Reis Caçote
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| Gravura do sítio da Penascosa |
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| Pormenor da Igreja Paroquial de Castelo Melhor |
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| Capela do Anjo |
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| Altar da Igreja Paroquial de Castelo Melhor |
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| Vitral da Igreja Paroquial de Castelo Melhor |
E logo pela manhã do segundo dia da construção propriamente dita lá subiram como puderam, mais lestos uns que outros, ou porque eram mais novos ou porque tinham descansado mais; notava-se que o cansaço era diferente, mas todos chegaram. E todos viram espantados, que toda a parte da parede no dia anterior construída tinha desaparecido e os materiais utilizados estavam amontoados lá adiante na ponta do rochedo!
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| Capela do Anjo |
Não havia carro de mão e as pedras eram muitas, como é que isto poderia ter sido feito?! Levar as pedras de braçado também estava fora de questão, pois nem três ou quatro pessoas o conseguiam fazer numa só noite!
(Continua...)
Texto: Reis Caçote
21 setembro 2012
Direcção de Cultura recupera vila amuralhada de Numão
A Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) iniciou uma intervenção de valorização e recuperação da vila amuralhada de Numão, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, um investimento de 106 mil euros, foi hoje anunciado.
"São obras essenciais, que têm de ser executadas para a preservação do património histórico. Pretende-se que a intervenção seja um chamariz para o chamado turismo cultural que se pretende implementar na região do Douro", disse hoje à Lusa a diretora regional de Cultura do Norte, Paula Silva.
Esta obra, inserida num conjunto de intervenções na região do Douro Superior, cujo montante global de investimento ascende aos 250 mil euros, insere-se no projeto "Rede de Monumentos do Vale do Douro", apoiado pelo Programa Operacional Regional do Norte (ON2).
No decorrer deste projeto serão realizadas obras de conservação, restauro e valorização de diversos monumentos situados no Vale do Douro, com o objetivo de qualificar a visita pública àqueles espaços.
"Trata-se de um esforço financeiro acrescido e como as obras estão inseridas em candidaturas têm de ser concluídas, se bem que com algum atraso, fruto das dificuldades que o país atravessa”, acrescentou a responsável.
A intervenção na vila amuralhada de Numão tem como objetivos a consolidação estrutural das duas principais torres das muralhas, a conservação e restauro da Igreja de Santa Maria, a conservação das ruínas da Capela de S. Pedro e a limpeza, consolidação e valorização da cisterna.
A empreitada inclui também a realização de escavações arqueológicas, a limpeza e controlo de vegetação em todo o perímetro do monumento, a definição e melhoramento dos percursos de visita e acesso e a instalação de um centro de apoio ao visitante localizado na povoação de Numão.
A vila amuralhada de Numão está classificada como monumento nacional desde 1910 e a primeira referência a este castelo de montanha data de 960 d.C..
A muralha oval e ondulante adaptada às escarpas foi em tempos rasgada por quatro portas protegidas por 15 torres, das quais restam seis (incluindo a de Menagem e algumas incompletas).
No interior das muralhas e dispersas por uma área de 336 hectares subsistem as ruínas de Numão, a igreja românica de Santa Maria do Castelo e a cisterna de sete metros de diâmetro no centro da povoação.
No exterior encontra-se a capela pré-românica de S. Pedro e uma necrópole com 10 sepulturas rupestres antropomórficas.
Fonte: Agência Lusa, em 18 Set 2012
18 setembro 2012
FREIXO DE NUMÃO - JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO 2012
O Museu da Casa Grande associa-se às Jornadas Europeias do Património, subordinadas ao tema "O Futuro da Memória", iniciativa anual do Conselho da Europa e da União Europeia, coordenada a nível nacional pela Direcção Geral do Património Cultural.
Junte-se a nós neste percurso, onde procuraremos dar significado ao futuro da memória.
17 setembro 2012
Azeite "Casa Grande" continua a ganhar Prémios
Concurso Internacional TerraOlivo
Esta semana foram anunciados os resultados da 3 ª edição do Concurso Internacional TerraOlivo, cuja competição se realizou em Jerusalém.
Ao todo, 282 das 408 amostras de azeite entraram na competição, das quais 42 foram premiadas com o prémio “Gran Prestige Gold”.
Os azeites de topo tinham de ter pontuação superior a 85 numa escala de 100 pontos onde os juízes avaliaram 13 atributos dentro das categorias de aroma, sabor, harmonia, complexidade e persistência.
Os organizadores salientaram que esta edição do TerraOlivo recebeu amostras de 18 países (66% de fora de Israel), contou com uma grande diversidade de juízes (10 países, incluindo Portugal), e o número total de amostras que excederam as 400.
O Portal do Azeite é desde 2011 parceiro de media deste importante concurso internacional ao lado das mais importantes publicações especializadas em azeite de todo mundo.
Portugal obteve este ano 23 prémios, dos quais destacamos os seguintes:
BEST OF PORTUGAL
Azeite Casa Grande Golo Reserve – Coop. de Viticultores e Olivicultores de Freixo de Numão
GRAN PRESTIGE GOLD
Azeite Casa Grande Golo Reserve – Coop. de Viticultores e Olivicultores de Freixo de Numão
Herdade do Esporão – Selecção - Esporão Vendas e Marketing
Joao Das Barbas D.O.P. - Maria Constança de Castro Doutel de Andrade
Ao todo, 282 das 408 amostras de azeite entraram na competição, das quais 42 foram premiadas com o prémio “Gran Prestige Gold”.
Os azeites de topo tinham de ter pontuação superior a 85 numa escala de 100 pontos onde os juízes avaliaram 13 atributos dentro das categorias de aroma, sabor, harmonia, complexidade e persistência.
Os organizadores salientaram que esta edição do TerraOlivo recebeu amostras de 18 países (66% de fora de Israel), contou com uma grande diversidade de juízes (10 países, incluindo Portugal), e o número total de amostras que excederam as 400.
O Portal do Azeite é desde 2011 parceiro de media deste importante concurso internacional ao lado das mais importantes publicações especializadas em azeite de todo mundo.
Portugal obteve este ano 23 prémios, dos quais destacamos os seguintes:
BEST OF PORTUGAL
Azeite Casa Grande Golo Reserve – Coop. de Viticultores e Olivicultores de Freixo de Numão
GRAN PRESTIGE GOLD
Azeite Casa Grande Golo Reserve – Coop. de Viticultores e Olivicultores de Freixo de Numão
Herdade do Esporão – Selecção - Esporão Vendas e Marketing
Joao Das Barbas D.O.P. - Maria Constança de Castro Doutel de Andrade





















































