“O cieiro da Semana Santa“
apresentou-se 6ª feira; o Sábado com céu ‘farrusco‘, ameaçador, muito nublado,
como que a dar razão à meteorologia que previa chuva; mesmo propício para
desmobilizar alguns; outros precaveram-se de agasalhos e protectores da chuva,
enquanto a maioria acreditava que “em Foz Côa nunca chove“.
Feita a concentração em frente ao
Centro de Informação Turístico, considerando que iríamos seguir todo o trajecto
“Da Poboa às Barcas do Douro“, e continuá-lo até à Senhora da Veiga. Dado o
quarto de hora académico e o quarto de hora nacional, pusemo-nos a caminho pela
Rua de S. Miguel, Tablado, Rua do Hospital, Praça do Município, Rua da
Amoreira, Rua do Deião, Caminho do Todão e Curralteles, onde se fez uma pequena
pausa de reagrupamento e informação; alguns lembraram a Senhora Adozinda,
mulher pequenina e muito trabalhadora, que aqui vivia com o marido no terceiro
quartel do século passado.
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| Tanque do Vale de Grilo |
Retomando o andar, depressa se
nos deparou o Tanque do Vale de Grilo, datado de 1698, o que, passados quase
quatro séculos, representa ainda uma obra imponente; feita uma referência aos
sete tanques existentes na Freguesia, localização e funcionalidade, lembrou-se
a Comissão de Proprietários de Foz Côa, que mandou erigir grande parte deles, importância,
funções e pessoas que desempenharam os cargos.
No “Alto da Carqueja“, contemplámos
uma das mais belas paisagens do Douro, em que o Vale da Vila se estende pelo
Vale da Vilariça.
O “Rapadouro“, inicialmente "raspa o Douro", donde se lobriga o Rio, apresentou-se-nos com esplêndido
vinhedo a contrastar com a antiga função de cereais e pastorícia.
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| Foto de António Rodrigues |
Despedimo-nos do caminho da “Xã”
e começámos a descer pelo antigo caminho calcorreado por juntas de bois que
muitas pipas de vinho fino transportaram até ao Pocinho, onde embarcavam, em
Barcos Rabelos com destino ao Porto. Os Lavradores traziam pequenas verrumas,
com as quais furavam as pipas de onde jorrava o precioso líquido que recolhiam
nas angoretas e com ele se deleitavam; o pequeno orifício era tapado com um
pauzinho que disfarçavam com terra.
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| Foto: António Rodrigues |
Os actuais saibramentos fizeram com
que os marcadores do percurso tivessem que traçar novos rumos, agora novos
carreiros. Lá fomos, descendo, com o Pocinho de braços abertos para nos
receber; o Centro de Alto Rendimento de Remo, acompanhando as curvas da
ladeira, contorce-se, em faixa branca, vinha ao nosso encontro.
Reagrupados à entrada, onde
recebemos a Família Olazabal, da Quinta do Vale Meão, como estava acordado,
fomos acolhidos pelo Senhor Presidente da Câmara, Eng. Gustavo Duarte, e pelo
Técnico Superior da Autarquia, Senhor Eng. Branquinho; passando de sala para
sala ou atravessando corredores, ficávamos estupefactos com a imaginação do
projectista, tornada realidade na obra, cheia de ângulos, linhas quebradas e
formas inesperadas, com espantoso aproveitamento da luz natural. Hão-de ser
muitos os prémios que irá arrecadar como imóvel e muitos mais como
funcionalidade.
Ao Senhor Eng. Branquinho,
conhecedor profundo do projecto, como demonstrava pela forma desenvolta com que
nos transmitia as informações e satisfazia alguma curiosidade ou pergunta
inesperada, agradecemos a gentileza que nos prestou.
Ao Senhor Presidente da Câmara,
Engenheiro Gustavo Duarte, coube a informação Social, política e finalidade da
obra, brindando-nos com algumas informações de pormenores e de prestações para
breve; escutámos com a maior atenção e agradecemos em nome de Todos.
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| Centro de Alto Rendimento de Remo do Pocinho |
Foz Côa tem mais uma Instituição
que enobrece e contribui para o desenvolvimento da Região.
Feitas as despedidas, continuámos
via baixo da ponte velha, junto ao Rio até às Frieiras; feita uma resenha da
importância passada do local, prosseguimos junto ao Douro, até à Quinta do
Reguengo onde inflectimos na direcção do Cruzeiro e depois ao Santuário da
Senhora da Veiga. Agradecemos à D. Maria do Carmo que nos disponibilizou o
acesso às instalações que muito contribuíram para o bem-estar do Grupo e
valorização do evento.
Partilhadas as merendas e
retemperadas as forças, com a elevação da oferta de uma caixa do delicioso “Meandro“
da colheita da Quinta do Vale Meão, pela Exma. Senhora Dr.ª. Luísa Olazabal,
que foi muito apreciado, jogámos ao pião, ao fito e à corda.
Com a alegria da juventude,
recolhemos ao autocarro que nos transportou a Foz Côa.
A Acção estava concluída, para
bem de Todos.
Aos que participaram,
colaboraram, nos receberam e ajudaram, os nossos agradecimentos.