17 janeiro 2012
Quem tudo quer, tudo perde.
"O turismo que se vê mas não se sente."
Como facilmente se depreenderá, pessoalmente nada me move contra as empresas que actuam como operadores turísticos, com os seus bonitos e faustosos barcos, no rio Douro. O que realmente me irrita é a incompreensão e insensibilidade dos seus proprietários quanto à partilha dos proveitos mas também de responsabilidades.
É um facto, que o Douro e toda a sua envolvência são a única razão da existência (o seu sustento) destas empresas, logo, manda uma boa gestão e ainda o bom senso promover uma harmoniosa cooperação com toda a região duriense e suas gentes, mas não, estas empresas operam de costas voltadas a quem lhes “dá o pão” (quem tudo quer, tudo perde). Naturalmente, que esta situação desajustada e de certa forma egoísta não se poderá eternizar, tanto que, já gerou manifestações de desagrado e obviamente que a tendência é aumentarem.
"A Régua recebe todos os anos milhares de turistas, mas que usam a cidade apenas como lugar de passagem. As operadoras usam o cais e a estação de comboios e os turistas entre as ligações não têm tempo para pararem um pouco pela cidade. Os comerciantes estão indignados com a situação, apontam o dedo às operadoras e dizem que o simples facto de os turistas permanecerem algum tempo na cidade seria o suficiente para melhorar esta situação. Aguardam que as entidades responsáveis façam algo para resolver esta situação"
É do interesse de todos, nomeadamente da região duriense e dos operadores turísticos que se encontre uma solução, pelo crescimento do turismo, onde haja cooperação e envolvimento de todos, esta é a única receita que poderá garantir o desenvolvimento da região duriense e a sustentabilidade económica dos operadores turísticos.
Um negócio sério só é negócio se todas as partes envolvidas ganharem alguma coisa.
É urgente que os autarcas, operadores turísticos e a CP dialoguem no sentido de encontrar a melhor solução para o Douro e para quem o ama.
Anualmente sobem o rio Douro, em embarcações turísticas, cerca de 200 mil visitantes.
"O Alto Douro Vinhateiro, classificado património mundial pela Unesco, é um local paradisíaco com paisagens deslumbrantes, principalmente no limite de Vila Nova de Foz Côa, onde o rio serpenteia por entre montes vestidos de vinhedos, oliveiras e amendoeiras. Local de eleição para os amantes da natureza, nalguns locais, ainda selvagem."
Adriano Ferreira
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14 janeiro 2012
Douro Vinhateiro - Património da Humanidade. Por quanto tempo mais…?
O Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT) considera que o relatório da ICOMOS, que sustenta que a construção da barragem de Foz Tua terá impactos irreversíveis na paisagem protegida do Douro, configura uma «situação da maior gravidade» a nível nacional. Daniel Conde, responsável do Movimento, acusa todos os Executivos de, nos últimos anos, esquecerem o estatuto do Douro Vinhateiro e o património do Vale do Tua. «É o património, a paisagem e o desenvolvimento que estão em causa», alerta.

Perda no transporte ferroviário
Contudo, refere que «a relação causa/efeito entre o galardão e o desenvolvimento da região é, no mínimo, ténue». No panorama ferroviário, «tudo foi sempre de mal a pior, onde para além de um meritório investimento na Linha do Douro entre a Régua e o Pinhão, se assistiu à perda do serviço Intercidades entre o Porto e a Régua, pela segunda vez em menos de 10 anos, e, claro, encerrou-se a Linha do Corgo – com pelo menos 6 km classificados como Património da Humanidade, e um serviço turístico efémero – e a Linha do Tua».
Daniel Conde não tem dúvidas e refere que uma coisa é «absolutamente certa: se a barragem do Tua for avante, o Douro Vinhateiro deixará de ser Património da Humanidade».
Para o responsável, a «incrível marginalidade do contributo energético do pacote de dez barragens proposto [pelo anterior Governo de José Sócrates], mostra a ligação entre a asneira de novas barragens para colmatar a asneira de novos parques eólicos, e o escandaloso favorecimento das concessionárias à custa do Estado na forma de rendas de garantia de potência».
Críticas que se estendem ao projecto arquitectónico a cargo de Souto de Moura: «o delírio de que um arquitecto, mesmo sendo um ‘Prémio Pritzker’, e umas esguichadelas de tinta salvarão o Douro Vinhateiro de ser desclassificado, mesmo que, tratando-se de uma ínfima parte do território que será devastadoramente alterada, seria uma lógica aceitável para uma criança de 10 anos».
Daniel Conde recorda a desclassificação do vale do Elba, na Alemanha, para realçar que «a construção de uma ponte - também ela a ocupar uma porção infinitesimal do território – levou poucos anos a empurrar o sítio da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para fora da sua bênção».
E acrescenta: «no fim da construção, do descerramento da placa com o nome de Souto de Moura, e da última esguichadela de tinta no paredão de 100 metros de altura, o Douro Vinhateiro sairá da lista de Património da Humanidade, tão certo como dois mais dois serem quatro. Estamos falar da UNESCO».
[…]
Impactos severos:
Sobre os impactos negativos, Daniel Conde enumera vários, «extensos, severos e irreversíveis: significará a ruína socioeconómica da região, a troco de uma produção de electricidade menos que marginal a nível nacional».
[…]
A nível agrícola, base de sustento da maior parte das famílias e da economia da região, «desaparecerão hectares de laranjal, olival, vinha de produção de Vinho do Porto de classe “A”, sobral e azinhal».
«Mata-se também uma jóia da coroa turística, e o único transporte público de várias populações, com potencial para servir de porta de entrada para a região de todo o Noroeste e Centro Peninsular, e de outros destinos na Europa, seja pela linha de TGV Madrid – Vigo, que vai passar às portas de Bragança, seja pela renovação do aeródromo de Bragança para receber voos de companhias low cost», relembra.
Já no que toca aos impactos ambientais, afirma que «a memória viva de um Douro desaparecido, e um habitat RELAPE (espécies Raras, Endémicas, Localizadas, Ameaçadas ou em Perigo de Extinção), serão obliterados para sempre. Espécies ameaçadas como a águia de Bonelli ou o lobo ibérico terão menos território ainda para sobreviverem, sem falar da potencial ameaça para o dado como extinto há alguns anos mexilhão de rio do Norte», lembra.
E recorda que o relatório da UNESCO já afirmou categoricamente que não será possível conciliar a barragem com a paisagem do Douro Vinhateiro, e que «por muito criativo que julguem ser Souto Moura, ou muito artístico que julguem ser “pigmentar” um paredão de 100 metros de altura, em plena foz de um rio».

Daniel Conde considera que nesta última década de Douro enquanto Património da Humanidade, a região ganhou «notoriedade» a nível mundial, o que suscitou investimento em infra-estruturas e recursos e produtos turísticos, «ultimando num extraordinário crescimento do número de visitantes e de dormidas».
Contudo, refere que «a relação causa/efeito entre o galardão e o desenvolvimento da região é, no mínimo, ténue». No panorama ferroviário, «tudo foi sempre de mal a pior, onde para além de um meritório investimento na Linha do Douro entre a Régua e o Pinhão, se assistiu à perda do serviço Intercidades entre o Porto e a Régua, pela segunda vez em menos de 10 anos, e, claro, encerrou-se a Linha do Corgo – com pelo menos 6 km classificados como Património da Humanidade, e um serviço turístico efémero – e a Linha do Tua».
«O próprio Censo de 2011 não deixou margem para dúvidas: a região continua a sangrar profusamente, perdendo mão-de-obra e massa crítica diariamente, havendo uma longa distância entre as causas de abandono sistemático do Interior e a da crise económico-financeira global para justificar este despovoamento. Mesmo em termos de equipamentos sociais básicos, como sejam hospitais, centros de saúde e escolas, nem mesmo o galardão serviu de garrote ao desinvestimento. Resta então uma reflexão: estará este galardão a ser levado a sério, ou deixado ao sabor único das iniciativas privadas, direccionadas quase em exclusivo para o domínio turístico?»,questiona.
Para o responsável, a Região deverá sobretudo crescer para fora, reportando-se à sua extensão natural através dos afluentes do Douro: pelo Corgo até Vila Real e às zonas termais das Pedras Salgadas a Chaves; pelo Varosa até Lamego; pelo Tua até Mirandela e à Terra Fria Trasmontana; pelo Sabor até ao Planalto Mirandês; pelo Côa até ao sítio Património da Humanidade das Gravuras de Foz Côa.
Por fim, Daniel Conde diz que «não precisamos de reinventar a roda, ou socorrermo-nos de grandes spots publicitários; basta que os diversos agentes turísticos da região, em conjunto com operadores turísticos e com o Turismo de Portugal, agendem uma série de protocolos de cooperação, e disponibilizem pacotes de experiências entre as micro-regiões turísticas presentes».
Fonte e texto completo: Café Portugal - Ana Clara; Fotos - MCLT .
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10 janeiro 2012
A Barca do Douro, o Porto do Seixo e a Veiga de Santa Maria - Parte I
PARTE I
INTRODUÇÃO
O vale do Douro, desde a fronteira portuguesa, tem uma paisagem bem diferente daquela que existe do lado espanhol; em Portugal forma um vale agreste e profundo que supõe, à partida, um importante obstáculo natural entre o norte e o centro do País - o Douro que separa.
Esta situação não impediu que as vilas criadas na Idade Média a norte do Douro, durante os séculos XII e XIII, tivessem território a sul do mesmo Rio como parte do seu alfoz (Santa Cruz da Vilariça, Urros) - o Douro que une.
As barcas para a travessia do Douro ajudavam a unir, todavia, pelos rendimentos que propiciavam, também dividiam, pois eram alvo de acesas disputas ainda antes do reinado de D. Dinis (monarca que cria os Concelhos de Torre de Moncorvo e Vila Nova de Foz Côa), disputas essas que se estenderiam ao longo de vários séculos.
A ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA MEDIEVAL
Numão/VNFC versus Santa Cruz da Vilariça/TM
Para perceber o problema criado em torno da barca do Douro e seu porto anexo, haverá que ter em conta dois aspectos:
- O económico pois a barca supunha rendimentos muito importantes para o seu administrador e tanto os reis como os particulares, se encarregarão de reforçar ao longo do tempo a sua importância; portanto não estranharemos tais disputas quanto ao seu controle.
- A imprecisão administrativa do território que favorece o desencadeamento de disputas territoriais.
As disputas centram-se entre os concelhos de Torre de Moncorvo e de Vila Nova de Foz Côa, herdeiros directos de outros dois concelhos anteriores a eles: Santa Cruz da Vilariça e Numão.
Numão seria, quando foi dotada de foral, a única vila importante à sua volta, numa zona onde os limites territoriais seriam claramente imprecisos.
O mesmo ocorreria com Santa Cruz um século depois ao norte do Douro.
Os Concelhos de Santa Cruz e de Urros não se circunscrevem à sua zona natural de expansão (norte do Douro), pois parte dos seus alfozes encontram-se a sul do dito Rio, ocupando uma franja territorial não muito extensa mas significativa.
Certamente que a única forma de aceder a estes territórios era por meio de barcas de passagem.
O aspecto fulcral da disputa centra-se na denominada Veiga de Santa Maria. Trata-se de uma enorme península que, a jeito de esporão, surge na margem esquerda do Douro, penetrando no vale da Vilariça. Devido a esta configuração geomorfológica, dá a impressão de que terras que deveriam estar situadas a norte do Douro se encontram a sul do mesmo. A este factor devemos acrescentar aspectos económicos, já que toda a veiga em si (Monte Meão em todo o seu conjunto) é terra própria para bons cultivos.
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| (Rio Douro - Monte Meão) |
Torre de Moncorvo limita, não pelo Rio mas por terra, com Vila Nova de Foz Côa, na Veiga de Santa Maria.
Esta fronteira de alfozes já vem dos tempos dos Concelhos de Santa Cruz e de Numão que delimitavam os seus termos pela dita Veiga, repartindo-a equitativamente.
A disputa não surge pois em princípios do século XIV entre VNFC e TM, mas vem de trás, protagonizada pelos actores anteriores.
Continua...
Este texto é uma versão resumida do artigo "O Douro, Vila Nova de Foz Côa e Torre de Moncorvo – Duas margens de alguma conflituosidade na Idade Média" da autoria de CARLOS A. F. d’ABREU e JOSE IGNACIO de la TORRE RODRÍGUEZ publicado no nº 0 da revista CÔAVISÃO no ano de 1998.
Nota:
Em relação ao artigo publicado na CÔAVISÃO, foram adicionadas as imagens e feitas pequenas alterações ao texto para permitir a ligação entre as partes que se pretendeu publicar.
Nota:
Em relação ao artigo publicado na CÔAVISÃO, foram adicionadas as imagens e feitas pequenas alterações ao texto para permitir a ligação entre as partes que se pretendeu publicar.
08 janeiro 2012
Museu do Côa em Série documental sobre Museus Portugueses, na RTP 2
A RTP2 transmite a partir do próximo domingo, 8 de janeiro, uma série documental de 13 episódios sobre 13 museus nacionais de arte, que se intitula "Um Dia no Museu".
A série será transmitida aos domingos, a partir das 19h30, e focará entre outros aspetos de interesse, o espólio artístico e a programação espaços culturais selecionados.
Merece especial destaque o Museu do Côa, nomeado pelo Europeum Museum Forum para o prémio de Museu Europeu do ano 2012. Este museu será apresentado no segundo programa da Série, dia 15 de janeiro.
A partir de dia 8 ( domingo) serão transmitidos, semanalmente, os episódios relativos aos seguintes museus: Museu Nacional do Azulejo, Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Coa, Museu de Serralves, Museu Calouste Gulbenkian - Centro de Arte Moderna, Museu de Arte Sacra do Funchal, Museu Nacional Soares dos Reis, Museu Nacional de Etnologia, Museu do Chiado - MNAC, Museu Berardo (Museu de Arte Contemporânea de Elvas), Casa das Histórias Paula Rego e Museu Arpad Szénes-Vieira da Silva, Museu de Grão Vasco e Museu Nacional de Arte Antiga.
Em cada programa serão entrevistadas várias personalidades ligadas ao mundo da arte com o objetivo de dar a conhecer as diferentes "mais valias artísticas" existentes em cada museu (exposições temporárias, ateliês de conservação, equipas de trabalho, etc.).
A série "Um Dia no Museu" partiu de uma ideia original da produtora CRIM e conta com o apoio da RTP, IMC, IGESPAR, Kodak e de algumas câmaras municipais.
Caso pretenda desfrutar da oferta magnífica do Museu do Côa, visite-o!
Algumas informações (aqui).
Os Tesouros do Côa (Câmara Clara - RTP)
Museu do Côa
02 janeiro 2012
Mel - O adoçante natural das economias rurais
O mel e os seus derivados, a cera, a própolis, o pólen, estão a contribuir para o desenvolvimento de economias locais e em certos casos motivam mesmo a exportação. Este adoçante é produzido pelas abelhas e extraído de forma natural pelo homem.
O sabor e textura do mel variam consoante a região, dado o clima e a flora local. Resultam daí méis com diferentes características: de urze, rosmaninho, eucalipto, laranjeira. Por vezes a combinação de vários.
Portugal conta já com 12 denominações de origem geográfica.
A constituição de uma DOP do mel passa por "criar condições no sentido a evitar e controlar as doenças existentes, aumentar a qualidade dos produtos e aumentar a formação dos apicultores."
Fotografia de Adriano Ferreira
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Fotografia de Adriano Ferreira
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Fonte: Café Portugal
Mel da Terra Quente – DOP (Denominação de Origem Protegida) abrange 10 concelhos: Mirandela, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro, Vila Nova de Foz Côa e Valpaços, estimando-se em 450 os apicultores instalados nesses concelhos.
Fotografia de Adriano Ferreira
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A produção anual de mel na Terra Quente ronda as 400 toneladas, predominando mel de rosmaninho (lavanda stoechas) temos também produções de mel de amendoeira (prunus sp), mel de castanheiro
"Segundo a Legislação Apícola Nacional, Nomeadamente o decreto-lei nº 203/2005 e de acordo com as obrigações dos apicultores em zona controlada, todos os apicultores são obrigados a assistir às acções de informação/formação/divulgação realizadas pela entidade gestora da zona controlada e pela associação ou cooperativa a que pertence.
A não assistência às referidas acções pode levar á suspensão de ajudas ou apoios por parte do Estado (PRODER, PAN - Documentação 1A, Medicamentos 2A, Apoio Técnico 1B, Apoios Específicos 3A, etc.)"
Imagens de: Adriano Ferreira
Ver também: OS MUROS-APIÁRIOS DO PARQUE ARQUEOLÓGICO DO VALE DO CÔA

















































